PESSoA

Projeto de Emancipação Social a partir da Soberania Alimentar

TEMAS:

Soberania alimentar, Segurança alimentar, Economia solidária, Consumo consciente e Agroecologia.

Concluído

ODS:

Sobre

O Projeto de Emancipação Social a partir da Soberania Alimentar (PESSoA) iniciou em 2022 com intuito de construir alternativas para potencializar o acesso e a autonomia da produção de alimentos saudáveis, bem como possibilitar a reeducação alimentar em comunidade em situação de vulnerabilidade social. 

O projeto promoveu a criação de hortas comunitárias no bairro Jesus de Nazareth – Vitória (ES) visando fortalecer a autonomia na produção de alimentos saudáveis e com o apoio do Edital Universal de Extensão da Fundação de Amparo a Pesquisa do Espírito Santo (FAPES) distribuiu insumos como mudas, sementes, canos, pallets e terra adubada. 

E assim, estruturou e orientou o desenvolvimento do plantio em 15 quintais da comunidade e com isso uniu a ciência, a educação e a participação comunitária para enfrentar um dos desafios mais urgentes da atualidade: a insegurança alimentar.

Contexto da Fome no Brasil

Foto: Divulgação (MDS)
DE PESSOAS EM SITUAÇÃO DE FOME NO MUNDO EM 2022
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BRASILEIROS EM INSEGURANÇA ALIMENTAR SEVERA EM 2022
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O cenário global pouco mudou em 2023, com aproximadamente 733 milhões de pessoas vivendo em situação de fome, um número muito próximo ao registrado em 2022.

A fome e a Insegurança Alimentar

A fome não significa apenas ficar longos períodos sem se alimentar e sim, a privação crônica de alimentos necessários para uma vida saudável e ativa, afetando especialmente crianças, mulheres e populações vulneráveis. Quando falamos de insegurança alimentar, estamos nos referindo à falta de acesso regular a alimentos adequados e nutritivos. Esse problema pode acontecer por motivos como a falta de dinheiro, desemprego ou até a ausência de oferta de alimentos em determinada região. Segundo a Pesquisa Nacional de Amostras Domiciliares (PNAD Contínua 2023) realizada peola Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 27,6% dos lares brasileiros enfrentaram algum grau de insegurança alimentar. Isso significa que ao menos 1 em cada 4 famílias passou por dificuldade no acesso à alimentação.

Incerteza quanto ao acesso a alimentos em um futuro próximo e/ou quando a qualidade da alimentação já está comprometida.

Quantidade insuficiente de alimentos.

Privação no consumo de alimentos e fome.

Aumento da Fome: Um Desafio Urgente para a Sociedade Brasileira

VIGISAN (2021, 2022)

NO PERÍODO DA PANDEMIA, CERCA DE

33,1 milhões

DE BRASILEIROS ESTAVAM PASSANDO FOME

Mais da metade da população do país — 125,2 milhões de pessoas — vivia com algum grau de insegurança alimentar.

Fonte: Olhe para a fome, 2022

A geografia da fome no Brasil: uma análise baseada em Josué de Castro

Ainda em 1940, Josué de Castro já relava sobre os problemas regonais da fome e detalhava como cada estado era acometido por esse problema. Atualmente, esse problema ainda acomete muitos brasileiros sendo estimadoque cerca de 3 em cada 10 famílias relataram incertezas quanto 

profundas desigualdades regionais noao acesso a alimentos em um futuro próximo, além de preocupações com a qualidade da alimentação nos meses seguintes.As formas mais severas de insegurança alimentar — moderada ou grave — continuam atingindo de forma desproporcional as regiões Norte 

(45,2%)   e Nordeste (38,4%),. Segundo os dados apresentados pelo site Olhe para a Fome, baseados no II VIGISAN, a redução parcial ou severa no consumo de alimentos nos três meses anteriores à pesquisa (II VIGISAN, 2022) podem ser compreendidas como:

OLHE-Capa-II-Inquerito-VIGISAN_Tamanho_Real

Fome e Insegurança Alimentar

O II VIGISAN, pesquisa realizada entre novembro de 2021 e abril de 2022 pela Rede PENSSAN, revelou um agravamento da fome no Brasil. O número de pessoas em situação de fome saltou de 19,1 milhões (9% da população) para 33,1 milhões (15,5%), refletindo os impactos da pandemia, do desmonte de políticas públicas, da crise econômica e do aumento das desigualdades. Mais da metade da população (58,7%) passou a viver algum grau de insegurança alimentar, mostrando que a fome voltou a níveis alarmantes, semelhantes aos de 2004.

PESSoA

O Projeto de Emancipação Social a partir da Soberania Alimentar (PESSoA) surgiu em 2022 para ajudar as pessoas das comunidades da Grande Vitória que enfrentam dificuldades para ter comida boa e saudável. Em muitos bairros, o acesso a alimentos fresquinhos nem sempre é fácil, e o PESSoA quer mudar isso, mostrando que é possível cultivar o próprio alimento mesmo em pequenos espaços.

Mais do que entregar mudas e sementes, o projeto incentivou as famílias a se unirem, aprenderem juntas e cuidarem das hortas, fortalecendo o vínculo entre as pessoas e o território onde vivem. Assim, além de melhorar a alimentação, o PESSoA ajudou a comunidade a ganhar mais autonomia e a valorizar os saberes de quem vive ali. Por meio da sistematização das ações desenvolvidas no PESSoA, os participantes foram assistidos individualmente e coletivamente de modo a suprir todas as necessidades envolvidos no processo.

O projeto compreendeu que a comida saudável é um direito de todos e que, para garantir isso, é importante que as pessoas tenham voz e participação nas decisões sobre como produzir e consumir os alimentos. Por isso, o PESSoA foi uma iniciativa que juntou ciência, educação e trabalho em grupo para construir uma vida melhor para quem mais precisa. Potencializando as suas ações após o alarmante cenário de insegurança alimentar decorrentes da pandemia.

Contribuiu para redução da insegurança alimentar e da fome, estimulando produção local e sustentável de alimentos saudáveis.

Estimulou o debate sobre a alimentação saudável, reutilização de resíduos domésticos, soberania alimentar e consumo consciente.

Colaborou com a melhoria da súde mental e física por meio das atividades desenvolvidas e da melhoria da alimentação/nutrição dos participantes

Menos prato vazio, mais mão na terra: como o PESSoA ajuda a virar esse jogo contra a fome

O PESSoA mostra que é possível enfrentar a fome de forma prática e comunitária. Ao incentivar as famílias a produzirem seus próprios alimentos em casa, o projeto fortalece a autonomia alimentar . Se iniciativas como o PESSoA forem ampliadas e replicadas em outras comunidades do Brasil, muitas pessoas poderão ter acesso constante a alimentos frescos e saudáveis. 

Além de melhorar a qualidade da alimentação, a criação de hortas caseiras e comunitárias fortalece os laços sociais, promove a educação alimentar e estimula a economia local. Projetos como esse são um passo importante para garantir que menos famílias enfrentem o medo da fome e consigam, com dignidade, produzir o que precisam para viver melhor.

Educação para além da horta

Foram realizadas oficinas de educação alimentar, práticas de compostagem, reaproveitamento de materiais e debates sobre o consumo consciente. Essas ações foram realizadas com apoio de escolas do bairro, como a EMEF Edna de Mattos e o CMEI Lídia Rocha Feitosa, envolvendo também crianças e jovens no processo de transformação social.

Um ciclo de partilha

Com o avanço das colheitas, foram planejadas dinâmicas de troca de alimentos entre as famílias, além de oficinas de culinária e encontros para divulgar receitas saudáveis. O projeto buscou criar uma rede solidária em que os alimentos e os saberes circulassem livremente, fortalecendo os vínculos sociais.

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Divulgação: GEPESE
Divulgação: GEPESE
Envolvimento com a comunidade

Na primeira etapa do projeto, 14 famílias que se cadastraram, responderam a um questionário e passaram por um treinamento para cuidar das suas novas hortas e receberem materiais, como canos PVC, terras adubadas, pallets, mudas e sementes.

Com o apoio de pesquisadores e educadores, essas famílias acompanham de perto o crescimento das hortas e compartilham conhecimentos e resultados com os demais moradores.

Multidisciplinaridade e parcerias

O Projeto PESSoA é fruto da colaboração entre diferentes áreas do conhecimento, incluindo nutrição, agroecologia, engenharia, biologia e sociologia. Participam pesquisadores do Ifes (Vitória e Santa Teresa) e do Incaper, além da colaboração da Secretaria da Justiça (Sejus), que doou mudas de hortaliças produzidas por seus internos.

📚 Quer saber mais sobre o que cultivamos juntos?

Acesse o nosso Repositório Acadêmico e confira os relatórios, imagens e outros registros das ações do Projeto PESSoA junto à comunidades.

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ETAPAS DO PESSoA

Explore mais dos resultados do que construímos juntos!

QUESTIONÁRIOS

Instrumentos aplicados para mapear percepções, hábitos e conhecimentos dos participantes.

MEDIÇÕES

Dados coletados para o desenvolvimento das hortas nos quintais.

IMPLEMENTAÇÃO

Etapas práticas de construção, preparo do solo, plantio e organização.

COMPOSTEIRAS

Encontros de planejamento e relatos da instalação e uso das composteiras.

RESULTADOS FINAIS

Análise dos dados, reflexões e principais conclusões geradas ao final.

Tá na Mídia!

Moradores de Jesus de Nazareth recebem hortas em seus quintais e lajes

As pequenas hortas caseiras são um costume que vem perdendo espaços nas grandes e médias cidades, mas em comunidades tradicionais como Jesus de Nazareth, em Vitória, elas se mantêm, mostrando sua potência como espaços sagrados de segurança alimentar. Visando apoiar essa tradição e expandir a experiência, está em curso no bairro a implementação do Projeto de Emancipação Social a partir da Soberania Alimentar (Pessoa).

Proposto pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o projeto recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), por meio do Edital 12/2022 – Universal de Extensão. São 14 famílias que se cadastraram, responderam a um questionário e passaram por um treinamento para cuidar das suas novas hortas e receberem materiais, como canos PVC, terras adubadas, pallets, mudas e sementes…

Divulgação: GEPESE

Projeto leva hortas verticais para casa de moradores de Jesus de Nazareth

Os moradores de Jesus de Nazareth, em Vitória, em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo, botaram a mão na massa para construir hortas verticais. Cada uma das hortas será instalada em casas da comunidade.

Fonte: TVE Espírito Santo

Fapes apoia projeto de hortas comunitárias em bairro de Vitória

Uma grande ação social está transformando uma parte do bairro Jesus de Nazareth, em Vitória, em horta comunitária. Em parceria com o Instituto Federal e Tecnológico do Espírito Santo (Ifes), os moradores estão desenvolvendo o projeto “Emancipação social a partir da soberania alimentar”. A ação é apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), por meio do Edital 12/2022 – Universal de Extensão, lançado de forma inédita em 2022.
O projeto consiste na distribuição de materiais, como canos PVC, terras adubadas, pallets, mudas e sementes para os moradores do bairro que se voluntariaram nessa primeira etapa do projeto. Inicialmente, 14 famílias já passaram pelos treinamentos de capacitação, escolheram as sementes que desejavam cultivar e agora acompanham o desenvolvimento das hortaliças…

Divulgação: GEPESE

Memórias em imagens

Relatos de Transformação​

"O Projeto PESSoA não foi só uma horta. Foi um espaço de transformação, de união, de aprendizado e muito afeto. Uma verdadeira colheita de amor, cuidado e esperança."
Cris Alves
Moradora de Jesus de Nazareth
"Trabalhar com a horta foi uma experiência transformadora. O envolvimento da comunidade e o impacto positivo no dia a dia dela me mostrou o verdadeiro sentido da pesquisa com propósito."
Mariana Almeida
Pesquisadora
"Tenho tempero fresquinho sempre que eu quero! Cuidar da horta virou uma terapia pra mim."
Wantuil Ribeiro
Morador de Jesus de Nazareth

Leonardo Bis

coordenador de campo

Contribuiu com a implementação das hortas comunitárias na comunidade de Jesus de Nazareth, apoiando a mobilização local, organização de mutirões e oficinas. Atuou no acompanhamento técnico do cultivo e na aplicação de práticas agroecológicas em campo.

Mariana Almeida

Pesquisadora bolsista

Foi responsável pela pesquisa e desenvolvimento das hortas comunitárias na comunidade de Jesus de Nazareth, atuando diretamente com os moradores locais na seleção de espécies adequadas, planejamento do espaço, atividades de educação ambiental e acompanhamento do cultivo.

Equipe do Projeto

Fernando Martins

AGENTE DE ARTICULAÇÃO

Criador do Tour no Morro e morador da comunidade, atuou como apoiador do projeto, contribuindo para o desenvolvimento das atividades nas hortas e na articulação com os moradores locais para participação no projeto.

Nicholas Duarte

Pesquisador bolsista

Artista local e bolsista do Projeto PESSoA, colaborou na implementação das hortas junto às famílias participantes e na realização da pesquisa de satisfação com os moradores beneficiados pela iniciativa.

Fernanda Magni

Professora parceira

Atuou diretamente na confecção das composteiras domésticas e no treinamento das famílias participantes do projeto. Ministrou orientações práticas sobre compostagem e aproveitamento de resíduos orgânicos.

VOLUNTÁRIOS

alunos do IFES Vitória

Contribuíram com a aplicação de questionários, medições das hortas, implementação dos canteiros e instalação das composteiras.

PARCERIAS E APOIO: